Mordida profunda: o que é, sintomas, tratamento e diagnóstico

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Ao pedir para seu filho sorrir, você reparou que os dentes de baixo quase desaparecem atrás dos de cima? Esse pode ser um sinal de mordida profunda, uma das más oclusões mais comuns na infância e que, se não tratada no momento certo, pode trazer consequências para além da estética.

Neste artigo, esclarecemos as principais dúvidas sobre mordida profunda para que você saiba identificar os sinais, entender quando buscar avaliação e o que esperar do tratamento.

O que é mordida profunda?

Mordida profunda é uma má oclusão caracterizada pela sobreposição excessiva dos dentes frontais superiores sobre os inferiores. 

Em condições normais, os incisivos superiores cobrem cerca de um terço dos inferiores. 

Na mordida profunda, essa sobreposição é muito maior, podendo chegar a encobrir completamente os dentes de baixo ou até fazer com que eles toquem o céu da boca.

A condição pode ser de origem dentária, quando envolve apenas o posicionamento dos dentes, ou esquelética, quando está relacionada ao desenvolvimento dos ossos da face. Essa distinção é fundamental para definir o melhor tratamento.

Mordida profunda é o mesmo que sobremordida?

Sim. Mordida profunda e sobremordida são termos diferentes para a mesma condição. O termo técnico utilizado pelos ortodontistas é sobremordida, do inglês deep bite. 

Na linguagem popular, o termo mordida profunda é mais comum e igualmente aceito para descrever essa sobreposição excessiva dos dentes frontais superiores sobre os inferiores.

Quais são as causas da mordida profunda?

A mordida profunda pode ter origem em diferentes fatores, que muitas vezes se combinam. As causas mais frequentes são o componente genético, que influencia o padrão de crescimento dos ossos da face, hábitos na primeira infância como sucção de dedo ou chupeta por tempo prolongado, perda precoce de dentes de leite sem a devida reposição de espaço, desenvolvimento excessivo da parte frontal do osso maxilar e a erupção exagerada dos dentes anteriores, que crescem mais do que o necessário.

Mordida profunda em crianças tem tratamento precoce?

Sim, e o momento ideal para iniciar o acompanhamento é por volta dos 6 anos, quando os primeiros dentes permanentes começam a erupcionar. 

Nessa fase, os ossos da face ainda estão em crescimento, o que permite que aparelhos ortopédicos funcionais redirecionem esse desenvolvimento de forma eficiente.

O tratamento precoce na infância costuma ser mais simples, mais rápido e menos invasivo do que o tratamento iniciado na fase adulta. 

Em muitos casos, uma intervenção bem planejada na infância pode evitar a necessidade de cirurgia mais tarde.

Mordida profunda pode causar dor de cabeça e zumbido no ouvido?

Sim, e esse é um ponto que surpreende muitos pacientes. A mordida profunda altera o posicionamento da mandíbula em relação ao crânio, o que pode sobrecarregar a articulação temporomandibular e a musculatura da face e do pescoço.

Essa sobrecarga crônica pode se manifestar como dores de cabeça frequentes, especialmente nas têmporas, sensação de zumbido ou pressão nos ouvidos, dores no pescoço e nos ombros e dificuldade para abrir a boca. 

Muitos pacientes passam anos tratando esses sintomas sem saber que a origem está na mordida.

Mordida profunda afeta a ATM?

Sim. A relação entre mordida profunda e disfunção da articulação temporomandibular, a ATM, é direta. 

Quando os dentes não se encaixam corretamente, a mandíbula assume uma posição compensatória para conseguir fechar a boca, o que sobrecarrega as estruturas da articulação ao longo do tempo.

Esse estresse repetido pode levar ao desenvolvimento de ruídos na ATM ao mastigar ou abrir a boca, dores articulares, desgaste do disco articular e, em casos mais avançados, à artrose da ATM. 

Por isso, tratar a mordida profunda também é uma forma de proteger a articulação a longo prazo.

Mordida profunda sempre precisa de cirurgia?

Não. A cirurgia ortognática é reservada para os casos mais graves, geralmente em pacientes adultos com discrepância esquelética significativa e crescimento ósseo já concluído. 

Na maioria dos casos, especialmente quando o diagnóstico é feito na infância ou adolescência, o tratamento ortodôntico ou ortopédico é suficiente para corrigir a condição.

Em adultos com casos moderados, a ortodontia também pode oferecer resultados funcionais e estéticos satisfatórios sem necessidade de cirurgia. 

A indicação cirúrgica sempre depende da avaliação individualizada do ortodontista e, quando necessário, do cirurgião bucomaxilofacial.

Como identificar a mordida profunda em casa?

Alguns sinais podem levantar a suspeita de mordida profunda antes mesmo da consulta com o ortodontista. 

Peça para a criança fechar a boca de forma natural e observe se os dentes inferiores ficam quase ou completamente escondidos atrás dos superiores, se o queixo parece recuado ou tenso ao fechar a boca e se há desgaste visível na borda dos dentes da frente.

Vale lembrar que a observação em casa serve apenas como um primeiro alerta. Apenas o ortodontista, com o apoio dos exames de imagem, consegue confirmar o diagnóstico, identificar a origem da condição e indicar o tratamento adequado.

Quais exames são necessários para diagnosticar a mordida profunda?

O diagnóstico completo da mordida profunda exige a combinação da avaliação clínica com exames de imagem específicos. Os principais são:

  • Documentação ortodôntica: reúne fotografias, radiografias, escaneamento intraoral e outros registros que auxiliam no diagnóstico, planejamento e acompanhamento do tratamento.
  • Raio-X Cefalométrico de Perfil: é o exame mais importante para o diagnóstico da mordida profunda, pois permite medir com precisão a sobreposição dos dentes e avaliar se a origem da condição é dentária ou esquelética.
  • Radiografia Panorâmica: oferece uma visão geral de toda a arcada dentária, avaliando os dentes presentes, em desenvolvimento e possíveis ausências que possam estar contribuindo para a má oclusão.
  • Tomografia Cone Beam: indicada nos casos mais complexos ou quando há suspeita de comprometimento da ATM, pois permite uma avaliação tridimensional das estruturas ósseas e articulares.

Como o Raio-X Cefalométrico de Perfil ajuda no diagnóstico da mordida profunda?

O Raio-X Cefalométrico de Perfil é o exame que permite ao ortodontista enxergar além do que é visível clinicamente. Por meio da análise cefalométrica, o profissional consegue medir o grau exato de sobreposição dos dentes, avaliar a relação entre maxila e mandíbula, identificar se a mordida profunda tem origem dentária ou esquelética e definir o melhor momento e tipo de intervenção.

Essa distinção é fundamental porque muda completamente o plano de tratamento. Uma mordida profunda dentária pode ser corrigida apenas com ortodontia, enquanto uma de origem esquelética pode exigir ortopedia na infância ou cirurgia na fase adulta.

Na Facenter, o Raio-X Cefalométrico de Perfil está disponível com e sem traçado cefalométrico, conforme a solicitação do profissional, com tecnologia digital de alta resolução e análise com auxílio de Inteligência Artificial.

O escaneamento intraoral com iTero Lumina pode complementar o diagnóstico da mordida profunda?

Sim. Além dos exames de imagem radiológicos, o escaneamento intraoral com tecnologia iTero Lumina é um recurso complementar valioso no diagnóstico e planejamento da mordida profunda.

O iTero Lumina permite visualizar uma simulação digital de como será a mordida após o tratamento ortodôntico, o que ajuda o paciente a entender cada etapa e acompanhar sua própria evolução.

Uma das funcionalidades mais relevantes para o caso da mordida profunda é o Oclusograma iTero, que mapeia digitalmente os pontos de contato entre os dentes superiores e inferiores, permitindo ao ortodontista visualizar com precisão onde há sobrecarga, ausência de contato e desequilíbrios na mordida.

O iTero Lumina oferece ainda um campo de visão três vezes maior, gerando modelos 3D com qualidade fotográfica comparável à fotografia intraoral tradicional e um cabo de digitalização 50% menor, o que é especialmente útil no atendimento de crianças e pacientes com reflexo de vômito acentuado.

Na Facenter, o escaneamento intraoral com iTero Lumina está disponível como exame complementar, integrando-se ao diagnóstico por imagem para oferecer ao ortodontista um panorama completo da situação da mordida do paciente.

Precisa investigar a mordida do seu filho ou identificar se há comprometimento da ATM? Conheça a Facenter

Se você identificou sinais de mordida profunda, o primeiro passo é procurar um ortodontista para avaliação clínica e solicitação dos exames de imagem adequados.

Quando há necessidade de exames de imagem, contar com uma clínica especializada faz diferença na qualidade do diagnóstico.

A Facenter é referência em radiologia odontológica e pioneira na utilização de Inteligência Artificial aplicada aos laudos odontológicos.

A clínica conta com tomógrafos de alta precisão da Morita, que permitem imagens detalhadas para auxiliar na análise das estruturas ósseas, dentárias e articulares.

Com 5 unidades no Rio de Janeiro, a Facenter facilita o acesso aos exames, mantendo o mesmo padrão técnico em todas as unidades.

Agende seus exames e conte com uma clínica especializada em diagnóstico por imagem odontológica.

Autor: Dra. Viviane Todeschini

Cirurgiã-dentista especialista em Radiologia Oral, Imaginologia e Estomatologia Oral. CRO/RJ 16.328. Responsável técnica da unidade Facenter Ipanema – EPAO 1678 e profissional dedicada ao diagnóstico por imagem odontológico.