Dente quebrado: o que fazer, tipos de fratura e como diagnosticar

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Mordeu algo duro, levou uma queda ou simplesmente sentiu um estalo na boca e percebeu que um pedaço do dente se soltou? Independentemente de como aconteceu, um dente quebrado gera dúvidas imediatas sobre o que fazer, se tem solução e o que esperar do tratamento.

Neste artigo, respondemos as principais dúvidas sobre dente quebrado de forma clara e direta, para você saber como agir nas primeiras horas e entender o que o dentista vai avaliar.

O que acontece quando um dente quebra?

Quando um dente quebra, a extensão do dano depende diretamente de qual camada da estrutura dental foi atingida. O dente é formado por três camadas principais: o esmalte, que é a camada mais externa e mais dura, a dentina, que fica logo abaixo do esmalte e é mais sensível, e a polpa, que é a parte mais interna do dente, contendo nervos e vasos sanguíneos.

Fraturas que atingem apenas o esmalte costumam ser indolores e representam menor urgência. Quando a dentina é exposta, o dente pode apresentar sensibilidade ao frio, ao calor e ao toque. Já quando a fratura atinge a polpa, a dor tende a ser intensa e o risco de infecção é alto, exigindo atendimento odontológico com urgência.

Quais são os tipos de fratura dental?

As fraturas dentais são classificadas conforme a extensão do dano e as estruturas envolvidas. Os principais tipos são:

  • Fratura de esmalte: afeta apenas a camada mais externa do dente, geralmente sem dor e sem urgência, mas que deve ser avaliada para evitar exposição da dentina.
  • Fratura coronária sem exposição pulpar: atinge esmalte e dentina, mas não chega à polpa. Pode causar sensibilidade e exige restauração, mas o dente geralmente pode ser preservado.
  • Fratura coronária com exposição pulpar: atinge a polpa do dente, causando dor intensa e risco de infecção. Geralmente requer tratamento de canal antes da restauração.
  • Fratura radicular: ocorre na raiz do dente, abaixo da gengiva, e muitas vezes não é visível clinicamente. É um dos tipos mais difíceis de diagnosticar e pode ser identificada apenas por exames de imagem.
  • Fratura corono-radicular: atinge tanto a coroa quanto a raiz, sendo um dos casos mais complexos e que frequentemente resulta na extração do dente.
  • Dente trincado: fissura que percorre o dente verticalmente, podendo ser superficial ou profunda. Será abordada com mais detalhes adiante.

Dente quebrado sempre dói?

Não. A presença ou ausência de dor depende diretamente de quais estruturas foram atingidas pela fratura. Fraturas superficiais que envolvem apenas o esmalte frequentemente são indolores e o paciente pode nem perceber imediatamente que o dente quebrou.

À medida que a fratura avança em direção à dentina, a sensibilidade aumenta, especialmente ao consumir alimentos gelados, quentes ou açucarados. Quando a polpa é atingida, a dor tende a ser intensa e espontânea, podendo pulsar e irradiar para outras regiões do rosto.

Vale destacar que a ausência de dor não significa ausência de problema. Fraturas radiculares e trincas profundas podem ser completamente assintomáticas por longos períodos e ainda assim causar danos progressivos ao dente e ao osso ao redor.

O que fazer imediatamente após quebrar um dente?

As primeiras horas após quebrar um dente são importantes para aumentar as chances de preservação. As orientações gerais são guardar o fragmento do dente quebrado em um recipiente com leite ou soro fisiológico, pois em alguns casos o dentista consegue recolá-lo, não tentar recolocar o fragmento sozinho, evitar alimentos muito quentes, muito frios ou muito duros na região afetada, fazer uma higiene bucal suave sem pressionar a região fraturada e procurar o dentista o mais rápido possível, especialmente se houver dor intensa, sangramento ou se a fratura envolver um dente de criança.

Quando há dor intensa, inchaço ou febre associados à fratura, o atendimento deve ser tratado como urgência odontológica.

Dente quebrado pode ser restaurado ou precisa ser extraído?

Na maioria dos casos, o dente quebrado pode ser restaurado, especialmente quando o diagnóstico é feito rapidamente e a fratura não atingiu a raiz de forma comprometedora. 

As opções de tratamento variam conforme a extensão do dano e incluem restauração direta com resina composta para fraturas de esmalte e dentina, tratamento de canal seguido de restauração ou coroa quando a polpa foi atingida, recolagem do fragmento quando ele foi preservado adequadamente e coroa total quando a estrutura remanescente do dente é insuficiente para uma restauração convencional.

A extração é indicada quando a fratura se estende muito abaixo da gengiva e do osso, quando não há estrutura dental suficiente para sustentar uma restauração ou quando há fratura radicular vertical, que compromete definitivamente o dente. A decisão sempre depende da avaliação clínica e dos exames de imagem solicitados pelo dentista.

Dente trincado é diferente de dente quebrado?

Sim. Embora relacionados, dente trincado e dente quebrado são condições diferentes. O dente quebrado apresenta perda visível de estrutura dental, ou seja, um pedaço do dente se soltou ou está claramente fraturado. Já o dente trincado apresenta uma fissura que percorre o dente, geralmente de forma vertical, sem perda visível de fragmento.

O dente trincado é uma das condições mais desafiadoras da odontologia porque frequentemente não é visível a olho nu nem nas radiografias convencionais, e os sintomas podem ser intermitentes e difusos. 

O paciente típico relata dor aguda e passageira ao morder em um lado específico da boca, mas sem conseguir identificar exatamente qual dente dói. A Tomografia Cone Beam é o exame mais eficaz para identificar trincas profundas que não aparecem nos exames convencionais.

Bruxismo pode causar dente quebrado?

Sim. O bruxismo, hábito de ranger ou apertar os dentes durante o sono, é uma das causas mais comuns de fratura dental em adultos. A pressão exercida pelo bruxismo pode chegar a ser muito superior à força normal de mastigação, submetendo os dentes a um estresse mecânico excessivo e repetitivo que, ao longo do tempo, enfraquece a estrutura dental e favorece o surgimento de trincas e fraturas.

Pacientes com bruxismo frequentemente apresentam desgaste generalizado dos dentes, trincas múltiplas e maior sensibilidade dentária. O tratamento do bruxismo com placa de mordida é fundamental para proteger os dentes de fraturas futuras, mas quando a apneia do sono está associada ao bruxismo, investigar as vias aéreas com Tomografia Cone Beam pode ser necessário para um tratamento mais completo.

Dente quebrado pode causar infecção?

Sim. Quando a fratura expõe a polpa do dente ou cria espaços onde bactérias podem se acumular, o risco de infecção é real e pode evoluir rapidamente. A polpa exposta fica vulnerável às bactérias presentes na cavidade bucal, que podem causar inflamação e necrose do tecido pulpar, evoluindo para um abscesso periapical, que é uma coleção de pus na ponta da raiz do dente.

Além disso, fraturas radiculares podem criar bolsas entre o dente e o osso que favorecem o acúmulo bacteriano e o desenvolvimento de infecção periodontal. Por isso, qualquer fratura dental deve ser avaliada pelo dentista o mais rápido possível, mesmo quando não há dor imediata.

Quais exames são necessários para avaliar um dente quebrado?

O diagnóstico completo de uma fratura dental exige a combinação da avaliação clínica com exames de imagem solicitados pelo dentista. Os principais são:

Radiografia Periapical: é o exame inicial mais utilizado para avaliar fraturas dentais. Permite visualizar a extensão da fratura em relação à raiz, identificar lesões periapicais associadas, avaliar a qualidade do osso ao redor do dente e verificar a presença de fragmentos dentro do tecido.

Tomografia Cone Beam: é o exame mais completo para o diagnóstico de fraturas complexas, especialmente as radiculares verticais, que frequentemente são invisíveis nas radiografias convencionais. Oferece uma visão tridimensional da fratura, permitindo ao dentista planejar o tratamento com muito mais precisão e segurança.

Como a Tomografia Cone Beam e a Radiografia Periapical ajudam no diagnóstico da fratura dental?

A Radiografia Periapical e a Tomografia Cone Beam são exames complementares que juntos oferecem ao dentista uma visão completa da extensão e da gravidade da fratura dental.

A Radiografia Periapical é o exame de primeira escolha no diagnóstico inicial de fraturas dentais. Em uma única imagem, o dentista consegue avaliar se a fratura atingiu a raiz, verificar se há lesão periapical associada indicando infecção, analisar a integridade do osso ao redor do dente e estimar se o dente tem condições de ser preservado com tratamento.

A Tomografia Cone Beam é indicada quando a radiografia periapical não é suficiente para esclarecer a extensão da fratura ou quando há suspeita de fratura radicular vertical, que é uma das principais causas de falha em dentes tratados com canal. 

Por meio da visão tridimensional, o dentista consegue identificar fraturas que não aparecem na radiografia convencional, avaliar com precisão o traço da fratura e sua extensão em profundidade, verificar o comprometimento do osso ao redor e planejar a extração ou a cirurgia com mapeamento preciso das estruturas anatômicas envolvidas.

Na Facenter, ambos os exames são realizados com tecnologia digital de alta resolução e análise com auxílio de Inteligência Artificial, garantindo imagens mais claras e laudos mais detalhados para o dentista responsável pelo tratamento.

Seu dentista solicitou exames de imagem para avaliar um dente quebrado ou trincado? Conheça a Facenter

Quando há suspeita de fratura dental, especialmente nos casos mais complexos como fraturas radiculares ou trincas profundas, o dentista pode solicitar exames de imagem para avaliar com precisão a extensão do dano e planejar o tratamento mais adequado.

A Radiografia Periapical e a Tomografia Cone Beam são os principais exames utilizados no diagnóstico de fraturas dentais, cada um com uma finalidade específica e complementar.

A Facenter é referência em radiologia odontológica e pioneira na utilização de Inteligência Artificial aplicada aos laudos odontológicos, contribuindo para imagens mais claras e laudos mais detalhados para o seu dentista.

A clínica conta com tomógrafos de alta precisão da Morita, que permitem imagens detalhadas para auxiliar na avaliação das estruturas dentárias e radiculares.

Com 5 unidades no Rio de Janeiro, a Facenter facilita o acesso aos exames, mantendo o mesmo padrão técnico em todas as unidades.

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Autor: Dra. Lélia Pessanha

Cirurgiã-dentista especialista em Radiologia Odontológica. CRO/RJ 16.188. Responsável técnica da unidade Facenter Centro – EPAO 4085 e profissional dedicada ao diagnóstico por imagem odontológico.