Afta na boca: o que é, tipos, causas e quando ir ao dentista
InformaçãoAquela ferida pequena, dolorosa e esbranquiçada que aparece na boca na pior hora possível tem nome: afta. Quem já teve sabe o quanto incomoda ao comer, falar e até engolir saliva. A boa notícia é que na maioria dos casos some sozinha em poucos dias. A má notícia é que algumas pessoas convivem com aftas recorrentes e, em situações específicas, a ferida pode indicar algo que merece atenção profissional.
Neste artigo, respondemos as principais dúvidas sobre afta de forma clara e direta, para você saber quando aguardar, quando tratar e quando procurar o dentista.
O que é afta?
Afta é uma úlcera bucal benigna que se forma na mucosa da boca, ou seja, na camada interna que reveste lábios, bochechas, língua, gengiva e o céu da boca. Ela se apresenta como uma ferida pequena, geralmente com fundo esbranquiçado ou amarelado e bordas avermelhadas, e costuma causar dor ou ardência, especialmente ao comer ou falar.
O termo médico para a afta é úlcera aftosa recorrente ou estomatite aftosa, e ela é uma das condições bucais mais comuns da população. Estima-se que cerca de 20% das pessoas desenvolvam aftas ao longo da vida, com maior prevalência em mulheres e adultos jovens.
Apesar de incômoda, a afta em si não é uma doença grave. No entanto, quando aparece com frequência, é muito grande ou demora mais do que duas semanas para cicatrizar, merece avaliação profissional.
Quais são os tipos de afta?
Existem três tipos principais de afta, que se diferenciam pelo tamanho, pela quantidade e pelo tempo de cicatrização:
- Afta menor: é o tipo mais comum, responsável por cerca de 80% dos casos. Tem diâmetro de até 1 centímetro, aparece geralmente em pequenas quantidades e cicatriza espontaneamente em 7 a 14 dias, sem deixar cicatriz.
- Afta maior: é menos frequente e mais grave. Tem diâmetro superior a 1 centímetro, pode ser profunda, muito dolorosa e levar de 2 a 6 semanas para cicatrizar, podendo deixar cicatriz. Quando aftas maiores aparecem com frequência, a avaliação do dentista é indispensável.
- Afta herpetiforme: apesar do nome, não tem relação com o vírus herpes. É chamada assim porque se apresenta em grupos de pequenas lesões, de 1 a 3 milímetros cada, que podem se unir formando uma úlcera maior. Cicatriza em 7 a 14 dias e não deixa cicatriz.
Afta e herpes são a mesma coisa?
Não. Afta e herpes são condições completamente diferentes, embora ambas causem feridas na região da boca e sejam frequentemente confundidas pelos pacientes.
A afta é uma úlcera que se forma dentro da boca, na mucosa interna, não é causada por vírus e não é contagiosa. Já o herpes labial é causado pelo vírus Herpes simplex tipo 1 e se manifesta como pequenas bolhas agrupadas que aparecem nos lábios ou ao redor deles, ou seja, na parte externa da boca. O herpes é contagioso, especialmente no período em que as bolhas estão ativas.
Outra diferença importante é que o herpes tende a aparecer sempre no mesmo local, enquanto a afta pode surgir em diferentes regiões da mucosa bucal. Em caso de dúvida sobre a natureza da lesão, o dentista é o profissional mais indicado para fazer a distinção e orientar o tratamento correto.
Afta é contagiosa?
Não. A afta não é contagiosa. Ela não se transmite pelo contato com saliva, beijos, utensílios compartilhados ou qualquer outro tipo de contato. Ao contrário do herpes, que tem origem viral e pode ser transmitido de pessoa para pessoa, a afta é uma lesão local que não envolve agente infeccioso transmissível.
Por isso, não é necessário isolar utensílios, evitar beijos ou tomar qualquer precaução de contágio quando se tem uma afta. O cuidado deve ser apenas com a higiene bucal adequada para não agravar a lesão e com a alimentação, evitando alimentos ácidos, condimentados ou muito quentes que possam aumentar a irritação.
Quais são as causas da afta recorrente?
A causa exata da afta ainda não é completamente esclarecida pela ciência, mas existem fatores que estão consistentemente associados ao seu surgimento e recorrência.
Os mais frequentes são o estresse e a ansiedade, que comprometem o sistema imunológico e favorecem o aparecimento das lesões, alterações hormonais, especialmente no período menstrual, que explicam a maior prevalência em mulheres, trauma local na mucosa, como mordidas acidentais, uso de aparelho ortodôntico ou escovação muito agressiva, deficiências nutricionais de ferro, ácido fólico, zinco e vitaminas do complexo B, alergias ou sensibilidades alimentares, especialmente ao glúten em pacientes com doença celíaca não diagnosticada, alterações imunológicas, uso de certos medicamentos e histórico familiar, pois a predisposição à afta pode ter componente genético.
Em pacientes que desenvolvem aftas com muita frequência, investigar as causas subjacentes é fundamental para reduzir a recorrência e melhorar a qualidade de vida.
Afta some sozinha ou precisa de tratamento?
Na maioria dos casos, a afta some sozinha sem necessidade de tratamento específico. As aftas menores, que são as mais comuns, costumam cicatrizar em 7 a 14 dias com cuidados básicos de higiene bucal e alimentação adequada.
No entanto, alguns recursos podem ajudar a reduzir a dor e acelerar a cicatrização, como bochechos com antissépticos bucais sem álcool, aplicação de géis anestésicos ou anti-inflamatórios tópicos disponíveis em farmácias, evitar alimentos ácidos, condimentados, muito quentes ou que possam traumatizar a lesão e manter uma boa higiene bucal sem agredir a região afetada.
Nos casos de aftas maiores, muito dolorosas ou recorrentes, o dentista pode indicar tratamentos mais específicos, como laser de baixa potência, que acelera a cicatrização e reduz a dor de forma significativa, ou medicamentos sistêmicos em casos mais complexos.
Quanto tempo demora para a afta cicatrizar?
O tempo de cicatrização varia conforme o tipo de afta. As aftas menores, que representam a grande maioria dos casos, cicatrizam em 7 a 14 dias. As aftas maiores podem levar de 2 a 6 semanas para cicatrizar completamente e, em alguns casos, deixam uma pequena cicatriz.
O sinal de alerta mais importante é quando uma afta persiste por mais de duas semanas sem sinais de melhora. Nesse caso, a avaliação pelo dentista é indispensável, pois lesões que não cicatrizam dentro do prazo esperado precisam ser investigadas para descartar outras condições, incluindo lesões potencialmente malignas.
Afta pode ser sinal de algo mais grave?
Sim, e esse é o ponto que mais merece atenção. Embora a grande maioria das aftas seja benigna e autolimitada, algumas características podem indicar condições mais sérias que precisam de investigação:
Lesão que não cicatriza em mais de duas semanas mesmo com cuidados adequados, afta muito grande, maior que 1 centímetro, especialmente se for única e de bordas irregulares, lesão que cresce progressivamente, aftas acompanhadas de outros sintomas sistêmicos como febre, perda de peso ou fadiga, aparecimento frequente de aftas em pacientes com doenças autoimunes como lúpus ou doença de Crohn e lesões em pacientes tabagistas ou etilistas, que têm maior risco para câncer de boca.
O câncer de boca em seus estágios iniciais pode se apresentar como uma úlcera que não cicatriza, semelhante a uma afta. Por isso, qualquer lesão que permaneça por mais de duas semanas sem melhora deve ser avaliada pelo dentista, independentemente da ausência de dor, pois as lesões malignas iniciais frequentemente são indolores.
Quando a afta precisa de avaliação do dentista?
Procure o dentista quando a afta persistir por mais de duas semanas sem sinais de melhora, quando a lesão for muito grande ou muito dolorosa a ponto de dificultar a alimentação, quando as aftas aparecerem com muita frequência, mais de três episódios por ano, quando a lesão tiver bordas irregulares, aspecto diferente do habitual ou crescimento progressivo, quando as aftas vierem acompanhadas de outros sintomas como febre, cansaço ou perda de peso e quando o paciente for fumante, fizer uso frequente de álcool ou tiver histórico familiar de câncer de boca.
Nesses casos, o dentista poderá avaliar a lesão clinicamente, solicitar exames complementares se necessário e, quando houver suspeita de lesão mais séria, encaminhar para biópsia e avaliação especializada.
Como o dentista diagnostica e trata a afta?
O diagnóstico da afta é essencialmente clínico, baseado na aparência da lesão, sua localização, histórico de recorrência e sintomas relatados pelo paciente. Na maioria dos casos, não são necessários exames complementares para confirmar o diagnóstico de uma afta comum.
No entanto, quando há dúvida sobre a natureza da lesão ou quando ela não cicatriza no prazo esperado, o dentista pode solicitar exames laboratoriais para investigar deficiências nutricionais ou alterações imunológicas associadas à recorrência, encaminhar para biópsia quando há características suspeitas de malignidade ou utilizar recursos como o laser de diagnóstico para avaliação mais detalhada da lesão.
Em relação ao tratamento, as opções mais utilizadas pelo dentista são o laser de baixa potência, que é um dos recursos mais eficazes para reduzir a dor e acelerar a cicatrização, medicamentos tópicos anti-inflamatórios ou anestésicos para aliviar o desconforto, orientação nutricional e suplementação quando há deficiências identificadas e investigação e manejo dos fatores desencadeantes nos casos de afta recorrente.
Está com uma lesão bucal que não some? Saiba quando procurar ajuda
A afta comum some sozinha em até duas semanas. Mas quando uma lesão bucal persiste além desse prazo, muda de aspecto ou aparece com muita frequência, o dentista pode solicitar exames complementares para investigar a causa.
Nesses casos, a Tomografia Cone Beam pode ser indicada para avaliar estruturas mais profundas da face e da boca, especialmente quando há suspeita de envolvimento ósseo ou tecidos adjacentes.
A Facenter é referência em radiologia odontológica e pioneira na utilização de Inteligência Artificial aplicada aos laudos odontológicos, auxiliando dentistas e especialistas no diagnóstico de condições bucais mais complexas.
A clínica conta com tomógrafos de alta precisão da Morita, que permitem imagens detalhadas para auxiliar na avaliação das estruturas da face quando necessário.
Com 5 unidades no Rio de Janeiro, a Facenter facilita o acesso aos exames, mantendo o mesmo padrão técnico em todas as unidades.
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Cirurgiã-dentista especialista em Radiologia Oral, Imaginologia e Estomatologia Oral. CRO/RJ 16.328. Responsável técnica da unidade Facenter Ipanema – EPAO 1678 e profissional dedicada ao diagnóstico por imagem odontológico.