Apneia do sono: o que é, sintomas em adultos e crianças e como diagnosticar

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Você ronca muito, acorda cansado mesmo depois de uma noite inteira de sono ou já foi avisado pela pessoa que dorme ao seu lado que você para de respirar por alguns segundos? 

Esses podem ser sinais de apneia do sono, uma condição que vai muito além do incômodo do ronco e que, quando não tratada, pode trazer consequências sérias para a saúde cardiovascular, o metabolismo e a qualidade de vida.

Neste artigo, respondemos as principais dúvidas sobre apneia do sono em adultos e crianças, explicamos a relação com a saúde bucal e mostramos como os exames de imagem contribuem para o diagnóstico.

O que é apneia do sono?

Apneia do sono é uma condição caracterizada por pausas repetidas na respiração durante o sono. Essas interrupções podem durar de alguns segundos a mais de um minuto e ocorrer dezenas ou até centenas de vezes por noite, sem que o paciente perceba ou lembre ao acordar.

Durante uma pausa respiratória, o nível de oxigênio no sangue cai e o cérebro envia um sinal de alerta para o organismo retomar a respiração. Esse processo interrompe o ciclo natural do sono, impedindo que o paciente atinja as fases mais profundas e restauradoras do descanso. O resultado é uma sensação persistente de cansaço, independentemente de quantas horas a pessoa dormiu.

Quais são os tipos de apneia do sono?

Existem três tipos principais de apneia do sono. A apneia obstrutiva do sono é a mais comum e ocorre quando os músculos da garganta relaxam excessivamente durante o sono, causando o colapso parcial ou total das vias aéreas superiores e bloqueando a passagem do ar. 

A apneia central do sono é menos frequente e tem origem no sistema nervoso central, quando o cérebro falha em enviar os sinais corretos para os músculos responsáveis pela respiração. Já a apneia mista ou complexa é uma combinação dos dois tipos anteriores, com características obstrutivas e centrais presentes no mesmo paciente.

Na maioria dos casos, quando se fala em apneia do sono no contexto odontológico e da radiologia, o tipo abordado é a apneia obstrutiva, pois está diretamente relacionada à anatomia das vias aéreas, à posição da mandíbula e às estruturas da face.

Quais são os sintomas da apneia do sono em adultos?

Os sintomas da apneia do sono em adultos são variados e muitas vezes confundidos com estresse, sedentarismo ou envelhecimento natural. 

Os mais frequentes são ronco alto e persistente, sensação de cansaço extremo ao acordar mesmo após uma noite longa de sono, sonolência excessiva durante o dia, dores de cabeça matinais, dificuldade de concentração e memória, irritabilidade e alterações de humor, boca seca ou dor de garganta ao acordar, necessidade de urinar várias vezes durante a noite e episódios relatados pelo parceiro de paradas na respiração seguidas de engasgos ou suspiros.

Muitos pacientes convivem com esses sintomas por anos sem associá-los à apneia do sono, buscando tratamento apenas para as consequências, como pressão alta, cansaço crônico ou bruxismo, sem investigar a causa raiz.

Quais são os sinais de apneia do sono em crianças?

Na infância, a apneia do sono se manifesta de forma diferente dos adultos e por isso muitas vezes passa despercebida. 

Os principais sinais são ronco frequente, respiração pela boca durante o sono, sono agitado com muita movimentação, episódios de pausa na respiração observados pelos pais, dificuldade para acordar de manhã, cansaço e irritabilidade durante o dia, enurese noturna em crianças que já haviam superado essa fase e posição incomum durante o sono, como dormir com o pescoço muito estendido para facilitar a passagem do ar.

A apneia do sono infantil tem relação direta com a respiração bucal, adenoides aumentadas e alterações no desenvolvimento da arcada dentária, o que torna o dentista e o ortodontista profissionais importantes na identificação precoce da condição.

Ronco sempre indica apneia do sono?

Não. O ronco é um sinal de alerta importante, mas nem todo ronco indica apneia do sono. O ronco simples ocorre quando há vibração dos tecidos da garganta durante a respiração, sem que haja interrupção do fluxo de ar. 

Já na apneia do sono, essa vibração é acompanhada de pausas reais na respiração, com queda nos níveis de oxigênio no sangue.

No entanto, o ronco persistente e alto, especialmente quando acompanhado de cansaço diurno, deve sempre ser investigado, pois pode ser o primeiro sinal de uma apneia do sono não diagnosticada. 

A avaliação por um especialista e, quando indicado, a realização de exames de imagem são fundamentais para distinguir as duas situações.

Apneia do sono tem relação com bruxismo?

Sim, e essa relação é mais frequente do que se imagina. Estudos mostram que pacientes com apneia do sono têm maior prevalência de bruxismo do sono, que é o hábito de ranger ou apertar os dentes durante a noite. 

Acredita-se que o ranger dos dentes possa ser um mecanismo de defesa do organismo para tentar reabrir as vias aéreas durante as pausas respiratórias, ativando a musculatura da mandíbula e da garganta.

Essa associação é clinicamente relevante porque pacientes com bruxismo que não respondem bem ao tratamento convencional com placa de mordida podem estar com a apneia do sono não diagnosticada como fator contribuinte. 

Nesses casos, tratar apenas o bruxismo sem investigar a apneia pode resultar em resultados insatisfatórios a longo prazo.

Apneia do sono em crianças pode afetar o aprendizado e o comportamento?

Sim, e esse é um dos impactos mais significativos da apneia do sono na infância. A privação crônica do sono profundo afeta diretamente o desenvolvimento neurológico da criança, com consequências que vão além do cansaço.

Crianças com apneia do sono não tratada frequentemente apresentam dificuldade de concentração e atenção em sala de aula, queda no rendimento escolar, hiperatividade e comportamento impulsivo, irritabilidade e alterações de humor, dificuldade de memória e raciocínio e, em alguns casos, sintomas que se assemelham ao Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade. 

Por isso, quando uma criança apresenta dificuldades de aprendizado ou comportamento sem causa aparente, a qualidade do sono deve ser investigada como parte da avaliação.

Apneia do sono em adultos pode causar problemas cardíacos?

Sim, e essa é uma das consequências mais sérias da apneia do sono não tratada. As quedas repetidas nos níveis de oxigênio durante as pausas respiratórias sobrecarregam o sistema cardiovascular, aumentando o risco de hipertensão arterial, que é a complicação mais comum e frequentemente resistente ao tratamento medicamentoso, arritmias cardíacas, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca.

A relação entre apneia do sono e doenças cardiovasculares é tão bem estabelecida na literatura médica que muitos cardiologistas incluem a investigação da apneia do sono como parte da avaliação de pacientes com hipertensão de difícil controle ou eventos cardiovasculares recorrentes.

Adenoide aumentada pode causar apneia do sono em crianças?

Sim. As adenoides aumentadas são uma das causas mais comuns de apneia do sono obstrutiva em crianças. 

As adenoides são estruturas localizadas na parte posterior do nariz, na nasofaringe, e quando estão inflamadas ou hipertrofiadas, podem obstruir parcial ou totalmente a passagem do ar pelas vias aéreas superiores durante o sono.

Essa obstrução força a criança a respirar pela boca, favorece o ronco e os episódios de apneia e, quando persistente, pode comprometer o desenvolvimento da arcada dentária e o crescimento facial. 

A tomografia cone beam é o exame que permite avaliar com mais precisão o tamanho das adenoides e o grau de obstrução das vias aéreas em crianças.

Apneia do sono tem relação com dentes tortos e má oclusão?

Sim. A relação entre apneia do sono e saúde bucal é bidirecional. Por um lado, alterações anatômicas como palato estreito, mandíbula recuada, língua posicionada de forma incorreta e má oclusão podem contribuir para o estreitamento das vias aéreas e aumentar o risco de apneia. 

Por outro, a apneia do sono e a respiração bucal crônica podem influenciar o desenvolvimento da arcada dentária, especialmente em crianças, favorecendo o apinhamento dental, a mordida cruzada e outras más oclusões.

Essa interação torna o ortodontista um profissional importante no manejo da apneia do sono, especialmente na infância, quando ainda é possível intervir no crescimento ósseo por meio de aparelhos ortopédicos que ampliam o palato e melhoram o espaço das vias aéreas.

Quais profissionais tratam a apneia do sono?

O tratamento da apneia do sono é multiprofissional e depende da causa, da gravidade e da faixa etária do paciente. 

Os principais especialistas envolvidos são o pneumologista ou médico do sono, que realiza o diagnóstico definitivo por meio da polissonografia e indica o tratamento clínico, o otorrinolaringologista, que avalia e trata causas obstrutivas como adenoides, amígdalas e desvio de septo, o ortodontista ou dentista especializado em sono, que pode indicar aparelhos intraorais de avanço mandibular para casos leves e moderados ou atuar no tratamento das más oclusões associadas, e o cirurgião bucomaxilofacial, nos casos em que há indicação de intervenção cirúrgica nas estruturas da face e da garganta.

Em muitos casos, o dentista ou ortodontista é o primeiro profissional a identificar sinais compatíveis com apneia do sono durante uma consulta de rotina, como palato estreito, língua com marcas dos dentes ou desgaste dentário por bruxismo, encaminhando o paciente para a avaliação médica adequada.

Como a Tomografia Cone Beam avalia as vias aéreas e auxilia no diagnóstico da apneia do sono?

A tomografia cone beam é o exame de imagem mais completo disponível na odontologia para a avaliação das vias aéreas superiores. 

Diferentemente dos exames convencionais em duas dimensões, a tomografia cone beam permite visualizar as vias aéreas em três dimensões, oferecendo ao profissional informações que nenhum outro exame odontológico consegue fornecer.

Com ela, é possível medir o volume total das vias aéreas superiores, identificar os pontos de maior estreitamento ou obstrução, avaliar o tamanho e a posição das adenoides e amígdalas, verificar a relação entre a posição da mandíbula e o espaço disponível para a passagem do ar e analisar as estruturas ósseas da face que podem estar contribuindo para a obstrução.

Essas informações são fundamentais tanto para o diagnóstico quanto para o planejamento do tratamento, permitindo que o ortodontista, o otorrinolaringologista e o médico do sono trabalhem com dados objetivos e precisos sobre a anatomia das vias aéreas de cada paciente.

Na Facenter, a tomografia cone beam é realizada com tomógrafos de alta precisão da Morita, com tecnologia digital de última geração e análise com auxílio de Inteligência Artificial, garantindo imagens mais claras e laudos mais detalhados para todos os profissionais envolvidos no cuidado do paciente.

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Se você ou seu filho apresenta sinais de apneia do sono, o primeiro passo é procurar um médico especialista para avaliação e, quando indicado, solicitar exames de imagem para complementar o diagnóstico.

Quando há necessidade de avaliação das vias aéreas por imagem, contar com uma clínica especializada faz diferença na qualidade do diagnóstico.

A Facenter é referência em radiologia odontológica e pioneira na utilização de Inteligência Artificial aplicada aos laudos odontológicos.

A clínica conta com tomógrafos de alta precisão da Morita, que permitem imagens detalhadas para auxiliar na avaliação tridimensional das vias aéreas, das estruturas ósseas e das adenoides.

Com 5 unidades no Rio de Janeiro, a Facenter facilita o acesso aos exames, mantendo o mesmo padrão técnico em todas as unidades.

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Autor: Dra. Viviane Todeschini

Cirurgiã-dentista especialista em Radiologia Oral, Imaginologia e Estomatologia Oral. CRO/RJ 16.328. Responsável técnica da unidade Facenter Ipanema – EPAO 1678 e profissional dedicada ao diagnóstico por imagem odontológico.